Coluna - A igreja Brasileira e o Sermão da Montanha

A igreja Brasileira e o Sermão da Montanha Estes dias estava analisando o sermão da montanha proferido por Jesus a partir do Capítulo...


A igreja Brasileira e o Sermão da Montanha


Estes dias estava analisando o sermão da montanha proferido por Jesus a partir do Capítulo 5 de Mateus. Percebi que o discurso de Jesus vai além de uma exposição da doutrina dos frutos e boas obras do cristão. Na verdade de uma forma implícita o Grande Mestre proclama uma revolução moral, um mudança radical no modo de pensar, falar e agir. Ele nos conclama para 
sermos revolucionários, para mudar a sociedade, para transformar o mundo através dos preceitos do evangelho. Contudo, para meu entretecimento a igreja evangélica brasileira não se enquadra nesse parâmetro colocado por Cristo, na verdade, estamos muito longe de sermos uma ferramenta de Deus para a transformação do mundo.

Estamos acostumados com um cristianismo estático, que não promove a mudança social e muito menos transformação moral da sociedade. Com um cristianismo que não impulsiona a justiça e nem a  pacificação da violência; que não combate a pobreza e a desigualdade; que não pressiona os governantes por mudança. Um cristianismo apolítico, mas politiqueiro no sentido mais medíocre da palavra, uma vez que nossas representações se preocupam mais com a sua carreira estadista do que com o desenvolvimento da nação. Entre nós existe a prevalência do pensamento de que a política não pode ser uma ferramenta utilizada pela igreja para alicerçar os valores da sociedade e amenizar as discrepâncias sociais. Deste entendimento surge a idéia de que o evangelho só deve ser espiritual, não tendo repercussão na vida social, salvo se for para “prosperar algumas pessoas”. Vivemos um cristianismo egoísta, fundamentado no bem estar pessoal e elevação espiritual particular. A própria igreja é uma reflexão disso. Muito pouco é gasto em missões, obras sociais e educação. Contudo, um montante enorme de dinheiro é empregado em construções de templos suntuosos e, direcionado na compra de automóveis caríssimos destoante da necessidade da igreja; em aparelhos musicais de qualidade de ponta não condizente com a realidade do culto, em refrigeração do ambiente da igreja; em piso de mármore e bancos acolchoados; em equipamentos e materiais para proporcionar um maior conforto ao féis, e algumas outras extravagâncias.

Diante disso, convido a seguinte reflexão: Deus não habita em templo feito por mãos de homens; A igreja primitiva é o nosso modelo de igreja, nela não havia templos e muito menos preocupação com conforto e luxo, pelo contrário, eles tinham a sensibilidade de prover as inópias básicas dos irmãos, ajudar o pobres e as viúvas. Em presença desse dado, questiono: o que nos faz empregar a maior parte do dinheiro da igreja em tanta futilidade, enquanto não possuímos nenhuma obra assistencial?

Quando Jesus disse que eram Bem-Aventurados os pacificadores e os que têm sede de justiça, quando ele nos ordenou que fôssemos o sal da terra e a luz do mundo, quando ele mandou amar o próximo, ser misericordioso, não ajuntar fortunas, perdoar a dívidas dos pobres, entre outras coisas, Ele não estava somente nos chamando para ser diferente do mundo, mais também para transformar o mundo. Ser cristão é ser revolucionário, é não aceitar a corrupção da sociedade. Não acredito em um cristianismo sem ação social. Temos que parar de ser tão egoísta, e ter a consciência de que existem pessoas fora e dentro da igreja não só numa carência espiritual, mais também em estados de penúria que entristece o coração de Cristo. Se você é Crente, e não tem essa sensibilidade, você está semelhante à igreja evangélica no Brasil: Não se enquadra no padrão de Cristo.  

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