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Coluna - A igreja Brasileira e o Sermão da Montanha
1.3.12
A igreja Brasileira e
o Sermão da Montanha
Estes dias estava analisando o sermão da montanha proferido por Jesus a partir do Capítulo 5 de Mateus. Percebi que o discurso de Jesus vai além de uma exposição da doutrina dos frutos e boas obras do cristão. Na verdade de uma forma implícita o Grande Mestre proclama uma revolução moral, um mudança radical no modo de pensar, falar e agir. Ele nos conclama para
Estamos acostumados
com um cristianismo estático, que não promove a mudança social e muito menos
transformação moral da sociedade. Com um cristianismo que não impulsiona a
justiça e nem a pacificação da violência; que não combate a pobreza e a
desigualdade; que não pressiona os governantes por mudança. Um cristianismo
apolítico, mas politiqueiro no sentido mais medíocre da palavra, uma vez que
nossas representações se preocupam mais com a sua carreira estadista do que com
o desenvolvimento da nação. Entre nós existe a prevalência do pensamento de que
a política não pode ser uma ferramenta utilizada pela igreja para alicerçar os
valores da sociedade e amenizar as discrepâncias sociais. Deste entendimento surge
a idéia de que o evangelho só deve ser espiritual, não tendo repercussão na
vida social, salvo se for para “prosperar algumas pessoas”. Vivemos um
cristianismo egoísta, fundamentado no bem estar pessoal e elevação espiritual particular.
A própria igreja é uma reflexão disso. Muito pouco é gasto em missões, obras
sociais e educação. Contudo, um montante enorme de dinheiro é empregado em construções
de templos suntuosos e, direcionado na compra de automóveis caríssimos destoante da necessidade da igreja; em aparelhos musicais de qualidade de ponta não
condizente com a realidade do culto, em refrigeração do ambiente da igreja; em piso de mármore e bancos acolchoados; em equipamentos e materiais para proporcionar
um maior conforto ao féis, e algumas outras extravagâncias.
Diante disso,
convido a seguinte reflexão: Deus não habita em templo feito por mãos de homens;
A igreja primitiva é o nosso modelo de igreja, nela não havia templos e muito
menos preocupação com conforto e luxo, pelo contrário, eles tinham a
sensibilidade de prover as inópias básicas dos irmãos, ajudar o pobres e as
viúvas. Em presença desse dado, questiono: o
que nos faz empregar a maior parte do dinheiro da igreja em tanta futilidade, enquanto
não possuímos nenhuma obra assistencial?
Quando Jesus
disse que eram Bem-Aventurados os pacificadores e os que têm sede de justiça,
quando ele nos ordenou que fôssemos o sal da terra e a luz do mundo, quando ele
mandou amar o próximo, ser misericordioso, não ajuntar fortunas, perdoar a
dívidas dos pobres, entre outras coisas, Ele não estava somente nos chamando
para ser diferente do mundo, mais também para transformar o mundo. Ser cristão
é ser revolucionário, é não aceitar a corrupção da sociedade. Não acredito em
um cristianismo sem ação social. Temos que parar de ser tão egoísta, e ter a consciência
de que existem pessoas fora e dentro da igreja não só numa carência espiritual,
mais também em estados de penúria que entristece o coração de Cristo. Se você é
Crente, e não tem essa sensibilidade, você está semelhante à igreja evangélica
no Brasil: Não se enquadra no padrão de Cristo.
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